A Árvore de Zaqueu

A Árvore de Zaqueu

         No Evangelho Segundo Lucas, encontramos a história de um pequeno, mas poderoso homem – Zaqueu – pequeno em estatura, mas poderoso em chefiar a corrupção em nome do Império Romano.

Zaqueu chefiava os Publicanos (cobradores de impostos), que na sua maioria, cobrava muito além do imposto, extorquindo os trabalhadores; o que fez dele um homem rico (ainda mais numa cidade como Jericó, que era muito próspera no comércio). Sendo assim, os cobradores de impostos eram odiados pela população, tanto que não lhes era permitido entrar no Templo.

Lucas descreve que Zaqueu procurava ver Jesus... Porém, havia um enorme problema para o pequeno e “poderoso” homem – a multidão! Mas ele não se abateu pelo fato de ser pequeno em estatura, nem pela concentração enorme de pessoas... Colocou a cabeça para funcionar; e decidiu sair correndo adiante, e subir num sicômoro.

O sicômoro citado no texto era um tipo de figueira de raí­zes profundas e galhos fortes, que produz figos de qualidade inferior, que somente os pobres comiam.

“Um homem rico sobe numa árvore ‘de pobre’ para ver Jesus”

         O que chama a atenção é que, geralmente, as pessoas que buscavam Jesus tinham algum problema de enfermidade que todos podiam ver - alguns eram cegos, outros leprosos, paralíticos... Mas Zaqueu não tinha problemas de saúde, não tinha problemas financeiros, não estava desempregado, ele tinha uma alta posição pública, autoridade e títulos diante do Império Romano.... Mas algo lhe faltava!

“Atualmente Jericó é um deserto, quente e feio, isso ilustra o estado da alma de Zaqueu”

Quando Jesus passa, ele olha para cima e de maneira bem simples, diz: “Zaqueu, desce depressa...”. E, num pulo, ele desce com grande alegria, pois quem o estava chamando era aquele por quem a alma de Zaqueu ansiava.

“A curiosidade fez Zaqueu subir na árvore, mas o amor e a fé o fizeram descer.”

Nos tempos atuais, existem diversos “zaqueus” andando por aí. Eles freqüentam as igrejas, os cultos, as reuniões, células, escolas bíblicas... mas é muito difícil vê-los, a maquiagem é grossa o bastante e por isso passam ‘desapercebidos’...  não querem descer da árvore. Querem ficar só olhando Jesus passar. Não querem mostrar quem de fato são.

         Zaqueu era pecador (e sabia disso); mesmo assim, diante de sua vontade de ver Jesus, arrumou uma maneira de conseguir o mesmo. Tentou não se abater diante das dificuldades, pensou, colocou a fé em prática e subiu na árvore. Se for preciso, devemos fazer o mesmo: subir na “árvore da humilhação”.

“Ele busca encontrar e acaba sendo encontrado!”
        
Jesus podia ter dormido na casa dos religiosos, ou em dezenas de outras casas, mas Ele escolheu pernoitar na casa do chefe da quadrilha. E a multidão não deixa passar em branco, e julga a ida de Jesus à casa de Zaqueu, quando dizem: “Foi hospedar-se na casa de pecador”; da mesma forma como era criticado nos momentos em que estava com prostitutas, ou tocava em moribundos e leprosos.

O povo não murmurou quando o cego foi curado... não murmurou quando o paralítico foi curado... nem quando ressuscitou o morto. Mas quando o chefe da quadrilha encontra salvação.... o povo murmurou! Talvez o povo considere que estes até mereçam a salvação, mas atenção e “estar junto” é um tanto inconcebível. Qualquer semelhança com o povo de nossos dias NÃO é mera coincidência

“Se Jesus não pudesse andar entre os pecadores, ele seria o homem mais solitário da terra”

Zaqueu subiu naquela árvore perdido, mas desceu encontrado.          O problema da “síndrome de Zaqueu” é que muitos já viram Jesus. Ele já olhou e disse: “DESCE DEPRESSA” - mas eles não descem! Já fizeram morada existencial na árvore.

         Portanto, vamos seguir o exemplo do pequeno homem Zaqueu; e atender ao chamado de Jesus, toda vez que Ele disser “desça”. E que quando descermos, que seja para andar com Cristo, sendo transformados pelo Seu poder; mesmo que, aparentemente, seu chamado seja o mais simples de todos.

Brasília - 2011

Alexandre Buth


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